Cobertura que eu fiz do debate de Edilson ontem… =) O radicalismo, surpreendentemente (pelo menos pra mim), passou longe, gente.
Edilson Silva coloca periferias como prioridade no seu governo
O CREA-PE recebeu na terça-feira (16/09) o candidato a prefeito do Recife Edilson Silva, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), dando continuidade à rodada de debates “O Melhor para o Recife”. O candidato iniciou ressaltando sua biografia política e sua admiração pelos profissionais de engenharia e arquitetura. “Tenho uma vida dedicada à luta popular”, contou. “Durante 15 anos trabalhei na ferrovia e lutei com os engenheiros ferroviários para desenvolver um modelo racional de transporte para o país. Tenho um carinho enorme pela categoria”.
O prefeiturável lançou um alerta à sociedade. “Não podemos mais tratar as eleições e a democracia como elas vêm sendo tratadas há décadas”, afirmou. Para Edílson, a democracia necessita de um projeto de governo que pense a sociedade de modo racional. O ponto de partida, de acordo com ele, seriam os governos municipais. “É nos municípios que o ‘ser social’ habita, sente os problemas”, disse. O socialista alfinetou outros candidatos que, segundo ele, lançam programas de governo “utópicos, ao invés de buscar o que é necessário e possível”.
Em seguida, o candidato do PSOL discutiu aspectos do seu programa de governo. O ponto principal defendido por ele foi a reforma na gestão da máquina pública, com foco na elaboração de um Estatuto das Cidades e na reabertura e reformulação do Plano Diretor. “Vamos levar a discussão a cidadãos, técnicos e membros de organizações sociais a fim de elaborar um novo Plano, que pense a cidade em longo prazo, independente da rotatividade de gestores”. Esse plano, de acordo com Edilson, iria prever a reestruturação dos transportes, estudando, inclusive, a viabilização de um metrô na Avenida Norte e a integração dos rios Capibaribe e Beberibe ao sistema viário, garantindo sua navegabilidade, regular o uso do subsolo da cidade, “esgotado pela ação livre das empreiteiras”, e elaborar um planejamento estratégico de ocupação dos imóveis abandonados do centro, de acordo com a vocação da área (residencial ou comercial).
Outro ponto que mereceu destaque na sua fala foi a urgência de mudanças nas “engrenagens de funcionamento da máquina pública que administra a cidade”. “Temos que acabar com esses cabos eleitorais do segundo escalão e garantir que as diretorias estejam nas mãos de servidores de carreira”, propôs. Para que isso ocorra, Edílson defende a ampliação dos mecanismos para a sociedade monitorar os gastos dos gestores, a partir de mudanças no código do município. “As auditorias passam primeiro pelas mãos do prefeito, antes de chegarem à sociedade”, disse. “Precisamos de uma auditoria independente, de um ‘Portal da Transparência’ para moralizar o serviço e a máquina pública”.
Críticas
O candidato do PSOL não deixou de criticar o Orçamento Participativo, mote da campanha da situação. Edilson disse que o O.P. é uma fraude e o apelidou de “orçamento enrolativo” porque, segundo ele, a parcela de investimentos definida pela população é mínima. “As comunidades não definem investimentos, definem cortes”, criticou. O foco da sua gestão estaria nas periferias. “Ou tomamos conta das periferias, ou esse problema social e econômico, o tráfico, vai explodir”. Para conter o avanço de criminalidade, o prefeiturável propôs ações para a geração de emprego e renda, o que garantiria que os jovens não ingressassem no mundo do tráfico. Os moradores das comunidades seriam empregados em tarefas de apoio às escolas, como a fabricação de merenda e fardamentos, por exemplo, o que descentralizaria esses serviços e os tiraria das mãos de empresas privadas.
Citando o antropólogo carioca Luiz Eduardo Soares, o candidato apontou que o problema da marginalidade não está só na geração de emprego e renda, mas na promoção de incentivos simbólicos à juventude. “Os meninos da periferia querem protagonismo, visibilidade”, afirmou, com base no contato que tem com jovens moradores de bairros periféricos do Recife. Com esse objetivo, Edílson propõe a criação dos Centros Populares de Cultura, Arte, Esporte e Lazer, que seriam, de acordo com ele, “muito simples, diferente desses que alguns candidatos propõem com piscina semi-olímpica e que viram motivo de piada na periferia”. Esses centros contariam com laboratórios áudio-visuais e estúdios, por exemplo. O socialista acredita, também, que para combater a criminalidade é fundamental um estudo aprofundado do problema. “O Pacto pela Vida, do governo do Estado, prevê a criação de Centros de Inteligência para estudar a violência, pro exemplo. Vamos usar esse instrumento”, disse.
Saúde, Educação e Meio Ambiente
Para a área de saúde, Edílson Silva ponderou que não é necessário criar novas policlínicas, mas “colocar as que existem para funcionar”. “Tem muita policlínica em Recife, não tem é médico para atender”, apontou. “Vamos resolver os problemas dos postos de saúde que já existem, para depois estudar a ampliação do número de unidades”. O mesmo raciocínio vale para educação, segundo ele.
O prefeiturável também revelou grande preocupação ambiental e propôs o “Orçamento Participativo Ambiental”, projeto que prevê incentivos aos moradores para que reduzam coletivamente o consumo de água e energia elétrica, estimulem a reciclagem e a limpeza de rios e canais. Reduções no IPTU e prioridade nos investimentos solicitados pela comunidade seriam os prêmios àqueles que conseguissem reduzir o impacto ao meio ambiente. Outras ações como instalação de captadores de energia solar, criação de uma rede de catadores e recicladores de resíduos, construção de usinas de produção de gás natural, saneamento ambiental estratégico e sistema de controle da vazão da maré também foram propostas.
Helena Alencar