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Outubro 5, 2008

Mea (des)culpa

Arquivado em: Internet, Televisão — Andréa Maciel @ 2:59 pm

As eleições chegaram, praticamente, ao fim. Pouquíssimos posts depois eu me pergunto: por que não consegui falar sobre a campanha? Se a idéia da Politeia me atraiu tanto a princípio, por que eu, simplesmente, não escrevi nada expressivo?

O motivo racional para isso eu achei nas palavras que Simon Schwartzman postou no seu blog. Como uma enrolona completa, eu agora colo aqui um trecho dessa análise. Além de mostrar o embaçamento das campanhas, Simon levanta uma séria questão: até que ponto as leis eleitorais favorecem a democracia? Ao restingir o uso da internet, por exemplo, não se está favorecendo as aparelhadas máquinas partidárias, cheias de recursos humanos e materias? Não sei até aque ponto eu considero essa restrição democrática. 

Deixo vocês com um trecho do texto de Simon.

A campanha eleitoral e as boas opções para o Rio

Na tentativa de evitar o abuso do poder econômico e do acesso previlegiado de alguns candidatos aos meios de comunicação de massas, a legislação brasileira e a justiça eleitoral acabaram promovendo uma eleição sem graça, em que que os candidatos desfilam pelos programas eleitorais da TV e do rádio como que enlatados, sem espaço para confronto de idéias e debate público. Até mesmo a Internet foi objeto de censura. Sem o uso pleno dos meios modernos de comunicação, resta aos candidatos o uso das máquinas eleitorais, a distribuição porta a porta de promessas e a campanha boca a boca. Não é de se estranhar que, neste processo, predominam os candidatos mais aparelhados, seja porque estão no governo, seja porque representam os interesses de alguma categoria, seja até, no caso do Rio, por representar as milícias que preliferam no Estado.

Andréa M.

Outubro 2, 2008

Enfim, o fim…

Arquivado em: Cidades — politeiape @ 3:23 pm

…e para alguém ficou alguma coisa além de promessas vazias e discussões sem sentido, ao estilo “sujo falando do mal lavado”?

Para o segundo turno, se ele vier, nenhuma expectativa: direita prum lado e esquerda pro outro. E a gente segue com parte do pastoril, só encarnados e azuis – Diana, cigana, borboleta e o diabo ficam de fora.

Helena

Setembro 29, 2008

Os coitadinhos

Arquivado em: Cidades — politeiape @ 2:52 pm
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O PT que me desculpe, mas que papelão! Gente, se fazer de vítima nessa história toda de uso da máquina pública é o pior que João da Costa poderia fazer, e o que já era esperado por todos os seus adversários. Veja que coisa ridícula: o DEM (ex-PFL e ex-Arena, a qual, nos tempos da ditadura se enchia de votos distribuindo cesta básica e dentadura no dia da eleição) com gabarito para falar o que quiser de João da Costa, colocar faixas nas ruas, propagandas na TV, convocar bicicleata da ética! Duro de engolir. Mas mais duro ainda é ter que enfrentar os petistas de cara lavada acusando o juiz de golpe. Que se calassem, se quisessem, e recorressem na justiça sem maiores alardes. Deixasse eles falando sozinho. Mas dar uma de coitadinho a essa altura do campeonato?

Sinceramente, o PT só está colhendo o que plantou ao encher as secretarias de gente despreparada para os cargos pura e simplesmente por se tratarem de militantes do partido. Ora, é claro que todo partido, ao chegar ao poder faz sua distribuição de cargos comissionados. Mas não seria justamente aí que a gestão petista deveria buscar se diferenciar das gestões anteriores, escolhendo, ainda que dentre seus militantes e simpatizantes, pessoas com o mínimo de preparo (leia-se aqui discernimento entre público e privado) para a vida pública? Deu no que deu. E agora se eximir da culpa é tolice das grandes. É discurso que inflama multidões em comícios, mas que faz, também, muita gente repensar seu voto, pelo menos no primeiro turno. Só pela vergonha da coisa toda.

Helena Alencar

Setembro 25, 2008

O que deu no JC?

Arquivado em: Impresso — politeiape @ 12:43 pm
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Depois de os três principais jornais pernambucanos terem divulgado ontem, em letras garrafais nas suas capas, a notícia da cassação da candidatura do petista João da Costa, e após os advogados do candidato terem entrado com recurso que garante a continuidade da sua campanha política, qual deveria ser a manchete do dia? “João da Costa é candidato” (ou coisa que o valha), para não confundir o povo que pretende votar nele dia 5. E foi o que fez a Folha. O Diário limitou-se a dizer que a campanha prossegue (Mendonça até tentou tirá-la do ar, mas…).

O JC optou pelo foco no “clima quente” do guia eleitoral. Fugiu da responsabilidade? Que nada… chamou para si e mostrou claramente seu posicionamento em colunas e matérias no caderno de política. Que JCPM torce contra o candidato petista, todo mundo já sabia (vide boatos sobre articulações suas com o DEM para lançar uma possível e inusitada candidatura). Mas daí a meter o dedo no jornal? Até onde eu sei, essa nunca foi uma prática sua, ainda que curta ver fotos do casamento da sua filha ocuparem duas páginas de caderno na coluna social ou reserve um espaço privilegiado para o lançamento do seu shopping em Salvador ou para a homenagem recebida recentemente na capital baiana. Contudo, indo pro campo da política, a coisa toda parece ultrapassar um pouco os limites do bom senso jornalístico.

Helena Alencar

Setembro 17, 2008

PSOL ameno

Arquivado em: Cidades — politeiape @ 2:16 pm
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Cobertura que eu fiz do debate de Edilson ontem… =) O radicalismo, surpreendentemente (pelo menos pra mim), passou longe, gente.

Edilson Silva coloca periferias como prioridade no seu governo

O CREA-PE recebeu na terça-feira (16/09) o candidato a prefeito do Recife Edilson Silva, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), dando continuidade à rodada de debates “O Melhor para o Recife”. O candidato iniciou ressaltando sua biografia política e sua admiração pelos profissionais de engenharia e arquitetura. “Tenho uma vida dedicada à luta popular”, contou. “Durante 15 anos trabalhei na ferrovia e lutei com os engenheiros ferroviários para desenvolver um modelo racional de transporte para o país. Tenho um carinho enorme pela categoria”.

O prefeiturável lançou um alerta à sociedade. “Não podemos mais tratar as eleições e a democracia como elas vêm sendo tratadas há décadas”, afirmou. Para Edílson, a democracia necessita de um projeto de governo que pense a sociedade de modo racional. O ponto de partida, de acordo com ele, seriam os governos municipais. “É nos municípios que o ‘ser social’ habita, sente os problemas”, disse. O socialista alfinetou outros candidatos que, segundo ele, lançam programas de governo “utópicos, ao invés de buscar o que é necessário e possível”.

Em seguida, o candidato do PSOL discutiu aspectos do seu programa de governo. O ponto principal defendido por ele foi a reforma na gestão da máquina pública, com foco na elaboração de um Estatuto das Cidades e na reabertura e reformulação do Plano Diretor. “Vamos levar a discussão a cidadãos, técnicos e membros de organizações sociais a fim de elaborar um novo Plano, que pense a cidade em longo prazo, independente da rotatividade de gestores”. Esse plano, de acordo com Edilson, iria prever a reestruturação dos transportes, estudando, inclusive, a viabilização de um metrô na Avenida Norte e a integração dos rios Capibaribe e Beberibe ao sistema viário, garantindo sua navegabilidade, regular o uso do subsolo da cidade, “esgotado pela ação livre das empreiteiras”, e elaborar um planejamento estratégico de ocupação dos imóveis abandonados do centro, de acordo com a vocação da área (residencial ou comercial).

Outro ponto que mereceu destaque na sua fala foi a urgência de mudanças nas “engrenagens de funcionamento da máquina pública que administra a cidade”. “Temos que acabar com esses cabos eleitorais do segundo escalão e garantir que as diretorias estejam nas mãos de servidores de carreira”, propôs. Para que isso ocorra, Edílson defende a ampliação dos mecanismos para a sociedade monitorar os gastos dos gestores, a partir de mudanças no código do município. “As auditorias passam primeiro pelas mãos do prefeito, antes de chegarem à sociedade”, disse. “Precisamos de uma auditoria independente, de um ‘Portal da Transparência’ para moralizar o serviço e a máquina pública”.

Críticas

O candidato do PSOL não deixou de criticar o Orçamento Participativo, mote da campanha da situação. Edilson disse que o O.P. é uma fraude e o apelidou de “orçamento enrolativo” porque, segundo ele, a parcela de investimentos definida pela população é mínima. “As comunidades não definem investimentos, definem cortes”, criticou. O foco da sua gestão estaria nas periferias. “Ou tomamos conta das periferias, ou esse problema social e econômico, o tráfico, vai explodir”. Para conter o avanço de criminalidade, o prefeiturável propôs ações para a geração de emprego e renda, o que garantiria que os jovens não ingressassem no mundo do tráfico. Os moradores das comunidades seriam empregados em tarefas de apoio às escolas, como a fabricação de merenda e fardamentos, por exemplo, o que descentralizaria esses serviços e os tiraria das mãos de empresas privadas.

Citando o antropólogo carioca Luiz Eduardo Soares, o candidato apontou que o problema da marginalidade não está só na geração de emprego e renda, mas na promoção de incentivos simbólicos à juventude. “Os meninos da periferia querem protagonismo, visibilidade”, afirmou, com base no contato que tem com jovens moradores de bairros periféricos do Recife. Com esse objetivo, Edílson propõe a criação dos Centros Populares de Cultura, Arte, Esporte e Lazer, que seriam, de acordo com ele, “muito simples, diferente desses que alguns candidatos propõem com piscina semi-olímpica e que viram motivo de piada na periferia”. Esses centros contariam com laboratórios áudio-visuais e estúdios, por exemplo. O socialista acredita, também, que para combater a criminalidade é fundamental um estudo aprofundado do problema. “O Pacto pela Vida, do governo do Estado, prevê a criação de Centros de Inteligência para estudar a violência, pro exemplo. Vamos usar esse instrumento”, disse.

Saúde, Educação e Meio Ambiente

Para a área de saúde, Edílson Silva ponderou que não é necessário criar novas policlínicas, mas “colocar as que existem para funcionar”. “Tem muita policlínica em Recife, não tem é médico para atender”, apontou. “Vamos resolver os problemas dos postos de saúde que já existem, para depois estudar a ampliação do número de unidades”. O mesmo raciocínio vale para educação, segundo ele.

O prefeiturável também revelou grande preocupação ambiental e propôs o “Orçamento Participativo Ambiental”, projeto que prevê incentivos aos moradores para que reduzam coletivamente o consumo de água e energia elétrica, estimulem a reciclagem e a limpeza de rios e canais. Reduções no IPTU e prioridade nos investimentos solicitados pela comunidade seriam os prêmios àqueles que conseguissem reduzir o impacto ao meio ambiente. Outras ações como instalação de captadores de energia solar, criação de uma rede de catadores e recicladores de resíduos, construção de usinas de produção de gás natural, saneamento ambiental estratégico e sistema de controle da vazão da maré também foram propostas.

Helena Alencar

Setembro 16, 2008

Profecias e política

Arquivado em: Impresso, Internet — leilane @ 9:48 pm

Estava eu lendo uma notícia no caderno de política da Folha de Pernambuco:

“Os petistas também protocolaram, no domingo, a petição pedindo que o site www.verdadecrista.com.br seja retirado do ar.” [grifo meu]

Obviamente, fui olhar o site (e dar muitos printscreens antes que ele saia do ar). Os autores são um pastor evangélico e um integrante de um movimento evangélico. Não sei se sou a única a ficar incomodada, mas a palavra verdade + citações proféticas nunca foram algo perto de confortável para mim.

Longe de querer ser partidária de João da Costa ou de quaisquer outros candidatos [uns 'x' em lugar dos nomes não iam fazer diferença]. O espanto aqui não está nos argumentos “não PT porque 13 é o número do azar”, “João da Costa apóia Gays” ou “João da Costa declara que sua proteção vem de ORIXÁS!!!” [indiscutíveis de tão refutáveis, pelo menos para esta a escrever].

O grave, grave mesmo, é que tem gente que os aceita. E vota com base neles.

Caminhos da degradação

Arquivado em: Cidades, Teoria — oladob @ 2:02 am

Um dia desses estava num ônibus e, pela janela, pude ver algo diferente no descuidado jardim pelo qual passo todos os dias, no início de uma avenida do Recife. No chão esburacado e mal cuidado, entre árvores ressequidas e quase mortas, destacavam-se insolitamente vários pôsteres de um candidato a vereador dessas eleições. A foto do indivíduo sorridente tinha um fundo verde brilhante e o número dele era visível em formato garrafal. Enquanto eu olhava, um jovem de mochila atravessou lentamente a calçada em frente ao jardim sem olhar para os cartazes um segundo sequer.

Essa cena pode ser tomada como uma metáfora, ou uma espécie de “imagem condensada”, de um dos maiores problemas da condição política atual: a deterioração do processo de eleição democrática. O que mencionarei a seguir provavelmente é uma denúncia clichê – e isso não deixa de alarmar ainda mais a situação, porque, apesar de muito se falar, o problema parece que se naturalizou (no sentido mesmo de transformar-se em natureza, paisagem natural, configurada dessa maneira aparentemente desde sempre).

“Deterioração” não significa que o processo eleitoral está em perigo ou algo assim. A crise diz mais respeito à solidificação indubitável dessa prática – pelo menos no Brasil. Ela é, contudo, configurada a partir de uma lógica degradada e, para continuar no clichê, absurda. Vamos sintetizar essa lógica com base naquela cena inicial: os discursos rasos e simplistas (achatados e chapados como o fundo verde dos pôsteres) da esmagadora maioria dos candidatos parecem não dizer respeito a grande parte dos eleitores (o que pode explicar a atitude geralmente apática deles, como o jovem passante), que, dessa forma elegem seus “representantes” com base em certos fatores como: favores específicos, amizades antigas, obras realizadas com conseqüências a curto prazo (a maior parte convenientemente na época das eleições ou pouco antes), etc, etc.

Essa lógica, como já falei, parece que cria, com o passar do tempo, raízes mais fortes e profundas, apesar de não serem raras campanhas “de conscientização” e denúncias para as quais a apatia é quase tão grande quanto a oferecida para os candidatos. Por quê? Qual a origem dessa lógica? Como ela persiste? Sem pretender, obviamente, responder definitivamente a essas perguntas ambiciosas e urgentes, proponho uma conexão que pode começar a iluminar mais o problema: a paisagem desanimadora que vemos hoje na política institucional (e de forma mais escancarada ainda quando se trata do processo eleitoral) pode ter a ver com mudanças fundamentais na cultura política ocidental, que datam mais ou menos da década de 60.

Nesse período houve uma grande efervescência política (maio de 68, Cuba, revoluções de independência no “Terceiro mundo”, guerrilhas, etc), mas ela foi seguida de uma desilusão também enorme, já que os projetos e utopias não conseguiram realizar-se. Claro que o que veio depois não foi uma espécie de tempo “apolítico”, mesmo porque as contradições sociais devidas às relações de poder e à ordem mundial hoje são mais violentas e visíveis que nunca. No entanto, é possível dizer que houve uma mudança fundamental na forma de se fazer política. Talvez, hoje, o interesse das pessoas, de forma geral, na esfera pública e a maneira como elas atuam preocupadas com as relações de poder diga mais respeito ao que é chamado “micropolíticas” do que a certos processos institucionalizados (como as eleições).

“Micropolíticas” quer dizer um sindicato não mais preocupado em forjar a união dos “proletários de todo o mundo”, mas em garantir melhorias específicas em seu local de trabalho e no salário dos empregados e mais nada. Quer dizer não mais se preocupar com a mudança do “sistema” geral, mas no modo como são vistos, na sociedade, os negros, os homossexuais, as mulheres, etc. É a preocupação com melhoras cotidianas e não com revoluções violentas.

Se essa nova cultura política trouxe à tona discussões que eram antes deixadas de lado nos assuntos de poder, nela há problemas – como a amnésia com relação a muitos pontos importantes e cruciais daquela forma mais “tradicional” de se pensar politicamente. Mas isso é assunto para outra hora. O que importa aqui é aquela conexão a que quero chegar: a apatia das pessoas quando se trata de política institucional pode ter como uma de suas causas de origem a mudança mais geral na cultura política. Os partidos políticos (pelo menos os brasileiros, que eu saiba) não acompanharam tal mudança.

Em outras palavras: as formas institucionalizadas de fazer política, em sua maior parte, não atingem a sensibilidade política contemporânea. Parece que os velhos discursos de “educação, saúde, lazer e segurança” não engajam mais as pessoas. A crise parece pior quando se sabe que tal discurso, velho que seja, tem um fundo de verdade: mudanças nessas quatro “áreas-chave” são mais que necessárias. Caminhos de solução para a situação exigiriam processos complexos e sistematizados de pensamento. Mas uma pista à qual esse pensamento deve se agarrar é essa: o discurso da política institucionalizada, para que saia da estagnação atual, deve aderir ao que interessa hoje às pessoas em termos de política. Não deve abandonar, contudo, os acertos que vem conseguindo reunir até hoje, como o fizeram a maioria dessas “micropolíticas”, forjando para si sua própria fraqueza.

André.

Só saindo um pouco do âmbito local…

Arquivado em: Televisão — oladob @ 2:01 am

Anda por aí uma fofoca segundo a qual Alexandre Garcia teria sido demitido da Globo por causa desse video… que acham?

A culpa é toda de André.

Setembro 12, 2008

Jogo ganho

Arquivado em: Cidades, Televisão — politeiape @ 1:23 pm
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Equipes de marketing dos demais candidatos que se cuidem: João da Costa, do Partido dos Trabalhadores, está prestes a vencer as eleições para a prefeitura do Recife – e já no primeiro turno. A vitória do petista é fato inusitado na política recifense e mostra o fortalecimento do PT no Estado. Jarbas Vasconcelos (PMDB) não fez seu sucessor nem para prefeito de Recife, nem para governador de Pernambuco, e está a beira da terceira derrota devido à inexpressividade do seu candidato, Raul Henry. A política pernambucana vive uma mudança de paradigmas.

Vale notar que João vai eleger João não tanto por mérito seu ou do secretário do Orçamento Participativo, mas principalmente pela ineficiência e indolência dos demais candidatos. Os guias são mornos, e, ainda que haja um longo mês pela frente até o domingo 5 de outubro, as tentativas de maior contundência nas críticas, observadas principalmente no guia de Mendonça Filho (DEM) e dos “nanicos”, não parecem dar muito resultado. A oposição bate na tecla errada.

Explico: os principais eleitores do PT estão entre as camadas mais desfavorecidas da população, mais alguma coisa da classe média do funcionalismo público. Para essas pessoas, não adianta falar do Parque Dona Lindu ou das pedras do calçadão de Boa Viagem, realidades distantes das suas preocupações. Tampouco surtem efeito as críticas aos programas de habitação, saúde e educação da gestão João Paulo. O fato é que alguma coisa mudou no social, e o eleitorado sentiu a mudança ocorrida nos últimos oito anos. Não tem guia cinematográfico nem comício que convença alguém que passou a ter atendimento médico em casa, a ver os filhos ir à escola todo dia e a garantir o dinheiro do feijão que o que a prefeitura fez não foi bom o suficiente. Para eles foi. Um ponto que talvez trouxesse bons resultados seria a obra do Corredor Leste-Oeste. Mas a prefeitura não tem feito corpo-mole – prefere voltar atrás nas promessas milagrosas do corredor e mudar rotas de ônibus do que correr o risco de ver o caos completo instaurado na principal via de comércio da cidade. Resultado do jogo: 5×1 para a chapa petista, com ponto adversário de gol contra.

A estratégia de construir imagens positivas dos candidatos ou mostrá-los como novidade também não tem trazido retorno. Mendonça, ao invés de polarizar com João da Costa, polariza, aos olhos da população, com o projeto político do partido dele, o PT, mais do que aprovado pelo eleitorado recifense. Sem dúvida que o democrata fez um excelente trabalho para melhorar a postura diante das câmeras, a dicção e tem críticas fundamentadas e projetos concretos na ponta da língua. Mas isso tudo só adianta para quem assiste aos debates, e a participação não tem sido expressiva, com as exceções daqueles com a presença das militâncias em peso ou em ambientes com platéia direcionada – caso das escolas e universidades, por exemplo. Os debates realizados em conselhos e órgãos públicos estão esvaziado, com uma média de oito a dez participantes (nem os funcionários ficam para participar). Debates televisionados não são a mesma coisa. Tudo muito preparado, maquiado, tempo contado, perguntas e respostas previsíveis. Mero prolongamento do guia eleitoral, isso que são.

Cadoca paga de candidato sem identidade. No guia, a voz do locutor afirma que ele é o político que “sempre esteve ao lado… do Recife”. Perdeu os votos que tinha da coligação PMDB-PSDB-DEM e não convence como governista. Não pode tecer críticas duras demais a João da Costa porque não quer ser visto como oposição (vide fotos com Eduardo Campos e Lula), e ao mesmo tempo não consegue expor a personalidade do seu programa de governo de modo eficaz. Raul, então, é “o desconhecido”. Se João Paulo fabricou seu candidato, o mesmo pode ser dito de Jarbas Vasconcelos ao escolher Raul, com a imensa desvantagem da queda de influência do senador na cidade e do triplo apadrinhamento do petista.

Os nanicos (ou Roberto Numeriano, Kátia Teles e Edilson Silva), coitados, são vistos pelos eleitores como “farinha do mesmo saco”. No mesmo bolo colocam o cientista político do PCB, a funcionária pública pseudo-socialista do PSTU e o só-faço-bater-e-não-tenho-propostas do PSOL. Perceber a diferença entre cada um destes desprivilegiados em tempo e recursos nos guias é tarefa sutil demais para a maioria da população. Preferível jogá-los no bolo dos que nunca vão vencer eleição nenhuma.

Diante desse cenário, fica difícil acreditar em um crescimento expressivo de outro candidato à prefeitura que não o petista, a não ser por um fato novo e bombástico. E mesmo que venha tal acontecimento, o petista leva a eleição no segundo turno, quando Cadoca se verá obrigado a apoiá-lo (detalhe: em sua passagem pelo Recife, o presidente Lula já pediu ao candidato que o fizesse agora, para “liquidar fatura no primeiro turno”). Esse “fato novo” precisa ser ainda mais expressivo que o caso da campanha via e-mail na Secretaria de Educação da PCR, ou o escândalo da Qualix ou as denúncias de fraude nas pesquisas apontadas por alguns oposicionistas. Pelo visto vai ser difícil achar alguma coisa tão cabeluda a ponto de impressionar o eleitorado recifense.

Helena Alencar

Setembro 10, 2008

Discussão hermética

Arquivado em: Cidades — politeiape @ 2:41 pm
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O textinho sobre o debate de ontem aqui no CREA. Devo confessar minha imensa decepção com ele, gente. Esperava mais. O debate todo girou em torno de uma lógica social/comunista do PCB que é difícil de ser compreendida (e engolida) por quem vive uma realidade capitalista. Tudo parecia meio ingênuo, meio vazio, sabem… Faltou pé no chão e respostas firmes, bem pensadas. Sem contar as perguntas toscas da militância. Pra que perguntar se você já diz a resposta na questão? Enfim. Tá aí o resumo.

Em debate no CREA, candidato do PCB defende mudanças no Plano Diretor

Na terça-feira (09/09) o CREA-PE recebeu Roberto Numeriano, candidato à prefeitura do Recife pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), dando continuidade à série “O melhor para o Recife”. Antes do debate, Numeriano e o candidato à vice pela sua chapa, Aníbal Valença, conversaram informalmente com o vice-presidente do Conselho, Roberto Freitas, e com o Superintendente, Carlos Sampaio, sobre os desafios da cidade. Aníbal frisou o sentimento de decepção do Partido com a gestão petista. “Tínhamos uma perspectiva diferente do que ocorreu na prática, tanto no âmbito municipal quanto no federal”, afirmou. Ele criticou o que chama de “postura social-democrática” adotada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) no governo, o qual, de acordo com ele, “se vendeu ao capital e dá migalhas ao trabalho”.

No início do debate, o prefeiturável apresentou um vídeo feito na Índia contando a história de um menino que tenta mover uma árvore gigante que bloqueia o trânsito. Comovidos com seu esforço, várias outras pessoas ajudam-no na sua empreitada e juntos conseguem resolver o problema. Após apresentar o filme, Numeriano leu um artigo seu publicado no Blog de Jamildo sobre o Plano Diretor do Recife, e a partir desse material iniciou a defesa de sua plataforma. “O filme é sobre como a cidade pode ser gerida pela participação popular; o artigo é a profissão de fé do nosso programa de governo”, explicou. O candidato defendeu que a discussão do Plano Diretor saia da Câmara de Vereadores e do Executivo e chegue à comunidade. “Queremos lançar uma discussão profunda por quem ‘sofre’ a cidade”, disse. Uma das mudanças apontadas seria no Orçamento Participativo, mote da campanha da situação. “Vamos criar o Orçamento Popular Participativo e tirar a discussão das mãos de cabos políticos”.

Roberto Numeriano também reclamou do modelo de gestão da cidade, segundo ele, “burocrática e pouco racional”. A solução, para o candidato, seria modernizá-la, incluir a participação popular nas decisões da cidade e instituir carreiras nas áreas de educação, saúde, auditoria, além de criar a figura do gestor municipal de carreira. Sempre se referindo ao PCB como “partidão”, ele apontou a visão socialista e comunista como a única capaz de mudar de fato a cidade. “Esse grupo de candidatos que a mídia chama de ‘G-4’ não podem romper com esses problemas porque já aceitam isso como lógico na política”, afirmou. “Precisamos quebrar essas cadeias viciadas do executivo e do legislativo a partir de um diálogo franco com os políticos”. O candidato finalizou a primeira etapa do debate apresentando propostas como o financiamento de cooperativas de catadores de material reciclável pela prefeitura, a redução de tributos para incentivar micro e pequenas empresas, a criação de uma empresa de transporte urbano e a revitalização do rio Capibaribe. “Temos que pensar o Recife para o futuro consertando aqui e agora”, concluiu.

Perguntas

Na segunda etapa do debate, Numeriano respondeu às questões da platéia. O tema “infra-estrutura”, incluindo energia, transportes e habitação, predominou. O candidato defendeu projetos para fontes renováveis de energia, como a instalação de painéis solares nos prédios e investimento em energia eólica. Destacou que ações estruturais devem ser pensadas em longo prazo, reafirmando, para isso, a necessidade da figura do gestor municipal concursado. Como exemplos dessas ações, citou a necessidade da manutenção e impermeabilização periódica da malha viária de Recife. Outros pontos surgidos no debate foram a criação de uma empresa para pressionar a continuidade da pesquisa por petróleo no litoral pernambucano, a adoção da prerrogativa legal da preempção (direito do município de pedir áreas privadas para construção de espaços públicos) em imóveis abandonados ou irregulares, a criação de um projeto de transporte coletivo urbano integrando metrô, ônibus e navegação fluvial, melhorias na drenagem, implantação de saneamento urbano integrado e inclusão social postal com o fim das caixas postais comunitárias, através do mapeamento e do calçamento de ruas às quais os serviços postais não chegam.

No quesito saúde, o comunista propôs a racionalização do atendimento nas policlínicas, criação de unidades neonatais, creches, ambulatórios e farmácias populares. “O caos na saúde pode ser evitado com soluções simples, melhorando a assistência em nível primário para aliviar os grandes hospitais”, disse. Para a área de educação, defendeu o aumento salarial dos professores, instituição de plano de carreiras, estudo integral e a criação de bibliotecas, além de ressaltar a importância da participação da família na educação. “Temos que qualificar o ensino e estabelecer metas que devem ser cumpridas por esses jovens”. Sobre a relação do seu governo com os movimentos sociais, Numeriano garantiu patrocínio e estímulo aos grupos, mas “sem torná-los ‘correia de transmissão’ ou ‘aparelho’ para ser manipulado pela prefeitura”.

Helena

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